<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699</id><updated>2011-07-30T17:46:56.185-02:00</updated><title type='text'>O Cavalo Alado</title><subtitle type='html'>Um pouco da história da Colônia e do cotidiano de uma família de origem alemã na Colônia de São Pedro de Alcântara (Santa Catarina - Brasil), nas décadas de 50 e 60 do século XX.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://petza.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-115755936323652962</id><published>2006-09-06T14:15:00.000-02:00</published><updated>2006-10-14T22:06:53.375-02:00</updated><title type='text'>Testemunhas da História</title><content type='html'>No resgate da história dos antepassados nem sempre são encontradas provas materiais com o registro dos fatos. São usadas, então,  provas testemunhais, geralmente, de pessoas idosas que a vivenciaram ou receberam a informação pela tradição oral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É comprovado cientificamente que a memória, mesmo de pessoas jovens e sadias, nem sempre é totalmente confiável. Um fato é registrado subjetivamente e, portanto, está longe de uma objetividade que se tenta dar ao acontecido. Em cima do fato, a mente cria, muitas vezes, particularidades próprias que influenciam na sua interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A história oficial é escrita, consciente ou inconscientemente, de acordo com os interesses de quem detém o poder, com episódios, nuances e situações, em beneficio ou detrimento de determinado grupo,  pessoa ou idéia. Embora o autor não esteja sob a influência de interesses outros que não seja a verdade, a coleta de informações enfrenta os percalços mencionados, além da sua própria limitação como ser humano.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por isto, se na prova material já encontramos forças que procuram influir para direcionar os acontecimentos em oposição à verdade, a prova testemunhal é a pior de todas. Sendo esta uma pessoa de idade avançada é impossível verificar a autenticidade com outras testemunhas, além do que,  a falha de memória e as fantasias são comuns e podem levar ao descrédito qualquer autor bem intencionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mesmo autores consagrados, ao efetuarem registros sem a devida confirmação, são  muitas vezes levados a erro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-115755936323652962?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115755936323652962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115755936323652962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2006/09/testemunhas-da-histria.html' title='Testemunhas da História'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-115747569217411027</id><published>2006-09-05T14:59:00.002-02:00</published><updated>2010-05-30T10:47:04.325-02:00</updated><title type='text'>Kaiserlicherweg</title><content type='html'>A ligação da capital da Capitania de Santa Catarina, então Desterro, com Lajes, sob a posse da Capitania de São Paulo, era de vital importância estratégica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1776 foi aberta uma picada "partindo da foz do rio Cubatão em direção a Lajes que foi abandonada a poucas léguas além do Rio dos Bugres, por causa da impraticabilidade e do perigo dos gentios".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 14-11-1788 foi iniciada a construção da estrada do sertão para a vila de Lajes, margeando o rio Maruim e dada como concluída em 6-12-1790.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1847, com a formação da Colônia Santa Isabel, o Governo Provincial mandou abrir estrada para o planalto serrano e que passou a ser a nova opção da ligação entre São José e Lajes, em relação ao Caminho das Tropas que passava pela Colônia São Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Presidente da Província e Hercílio Luz, Engenheiro das Obras Públicas, em 1888, percorreram de novo o velho caminho de penetração para planejar sua melhoria, bem como decidir sobre seu traçado definitivo. Na ida tomaram o caminho do rio Cubatão, ou seja, por Santo Amaro. No retorno desviaram em Taquaras para estudos de comparação, descendo por Angelina e São Pedro de Alcântara, margeando o rio Maruim. Decidem-se em favor da via pelo Cubatão, discordando definitivamente com o traçado inicial de 1790.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe-se, então, que o Caminho das Tropas para Lajes tinha duas ramificações iniciais que partiam de São José da Terra Firme e que se encontravam em Taquaras: uma passando pelo rio Cubatão (Santo Amaro) e outra seguindo o rio Maruim (São Pedro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Cubatão foram descobertas fontes de águas termais em 1812. Em 1818, o Rei Dom João VI, através de Decreto ordenava a construção de um hospital termal. Em 1845, o casal imperial Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina visitaram as termas e o local passou a chamar-se Caldas da Imperatriz. Um dos braços do Caminho das Tropas passava por Caldas e, neste trecho, foi chamado, então, de Caminho do Imperador. Era costume entre a população local assim chamar ao espaço percorrido pelo soberano nas suas visitas ao lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_-inzIKUu0Wg/TAJd-8NtFFI/AAAAAAAAAgM/fdcWHO_gMXk/s1600/pintura2.2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 238px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-inzIKUu0Wg/TAJd-8NtFFI/AAAAAAAAAgM/fdcWHO_gMXk/s400/pintura2.2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477043432732824658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;Vista do desembarque de D. Pedro II e sua esposa em Desterro, ilha de Santa Catarina, em 12 de outubro de 1845. Aquarela de Vicente Pietro (clique sobre o quadro para ver a imagem ampliada).&lt;/i&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Embora a Colônia de São Pedro de Alcântara tenha sido assim chamada em homenagem ao Imperador, ele não a visitou, restringindo a sua visita às caldas do Rio Cubatão. Mesmo assim, segundo o historiador e cientista Padre Raulino Reitz, o caminho das tropas para Lajes que passa pela colônia São Pedro era chamado pelos colonos de "Kaiserlicherweg" (Caminho do Imperador). O mesmo nome era dado, também, pelos colonos alemães que se instalaram na região do Cubatão a partir de 1836, para o "Caminho do Imperador" de Caldas da Imperatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PHILIPPI, Aderbal João - São Pedro de Alcântara - A primeira colônia alemã de Santa Catarina,1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enciclopédia Simpozio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-115747569217411027?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115747569217411027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115747569217411027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2006/09/kaiserlicherweg.html' title='Kaiserlicherweg'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-inzIKUu0Wg/TAJd-8NtFFI/AAAAAAAAAgM/fdcWHO_gMXk/s72-c/pintura2.2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-115610821249863663</id><published>2006-08-20T19:02:00.001-02:00</published><updated>2008-02-25T20:08:55.831-02:00</updated><title type='text'>O  Monjolo e a Roda d'Água</title><content type='html'>Na escola do Campo, &lt;em&gt;O Monjolo e a Roda d'Água&lt;/em&gt; era o primeiro texto do livro de leituras do segundo ano primário - se não me falha a memória. Não me lembro de detalhes do texto, mas havia uma ilustração da roda d'água. Roda d'água todos nós conhecíamos, pois havia uma no nosso engenho. Mas o que era &lt;em&gt;o monjolo&lt;/em&gt;? Perguntar ao professor era complicado, pois eu era muito tímido e o meu português fraquíssimo. Já caçoavam de mim porque na fala trocava o &lt;em&gt;p&lt;/em&gt; pelo &lt;em&gt;b&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;t&lt;/em&gt; pelo &lt;em&gt;d&lt;/em&gt;. Imaginem então, eu nem saber o que era um &lt;em&gt;monjolo&lt;/em&gt;! Não sei se perguntei pra &lt;em&gt;mama&lt;/em&gt;. Se perguntei ela também não sabia, ou deu uma resposta pouco convincente, pois até ontem eu não sabia o que era este artefato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei no Dicionário Aurélio Século XXI, e lá está: &lt;em&gt;"Monjolo. 3.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Engenho tosco, movido a água, usado para pilar milho e, primitivamente, para descascar café."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;engenho movido a água&lt;/em&gt; eu conheço, eu quero saber o que é &lt;em&gt;monjolo&lt;/em&gt;. (Na verdade o Aurélio está certo, eu é que não estava entendendo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em época de Internet, temos respostas para quase todas as nossas dúvidas e perguntas, basta pesquisar pelo google.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí está crianças da escola do Campo de Demonstração, do ano da graça de nosso Senhor Jesus Cristo de 1955, e demais interessados:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4941/644/1600/monjolo.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4941/644/400/monjolo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Monjolo é um pilão grande - onde se soca milho, arroz, café ou amendoim - com um socador formado por uma haste de madeira na frente e um cocho na parte traseira. A água movimenta o socador. Ela chega através de uma calha, cai no cocho e quando este fica cheio abaixa com o peso da água elevando a haste. Assim que a água escorre a haste desce pesadamente, socando o que esteja no pilão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dizem que o monjolo veio da China. Mas ele foi introduzido no Brasil pelos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-115610821249863663?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115610821249863663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115610821249863663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2006/08/o-monjolo-e-roda-dgua.html' title='O  Monjolo e a Roda d&apos;Água'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-115540538771601722</id><published>2006-08-12T15:45:00.009-02:00</published><updated>2010-05-30T10:50:28.372-02:00</updated><title type='text'>Die Kreenpanz</title><content type='html'>Toda família tem as suas histórias de heroísmo e chistes que são transmitidas de geração em geração e que traduzem feitos que refletem o espírito da família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu naquele período, não se sabe precisar a data, numa festa da Colônia. Como na época era proibido falar alemão, o contingente policial que era deslocado de São José para a segurança da festa, tinha também como objetivo fiscalizar o cumprimento da Campanha de Nacionalização. Os seus informantes, geralmente pessoas da própria comunidade, eram os elementos chaves para promover a repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de andar bastante, a senhora Luiza Gesser (minha avó) convidou uma amiga e foram sentar-se no carro-de-mola para descansar e abrigar-se do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha lá a &lt;em&gt;Guessa Luiza&lt;/em&gt; e a Catarina. Devem estar falando em alemão, disse o Franz ao Chico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram os dois, como quem não quer nada com nada, passaram pelo carro-de-mola, e constataram: elas estavam falando em alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali ao chefe do policiamento foi um pulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chefe, dá licença! Olha lá, a Luiza Gesser e a Catarina falando em alemão, disseram olhando na direção delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com duas testemunhas, o chefe de polícia não teve dúvidas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Soldado, traga-as para cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A movimentação do Franz, do Chico, do chefe de polícia e do soldado, chamou a atenção dos circunstantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao dirigir-se para o carro-de-mola, o soldado já era acompanhado por muitos, excitados pelo que podia acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soldado foi direto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As senhoras estavam falando em alemão! Desçam e venham comigo falar com o chefe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas empalideceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos, que haviam sido avisados, cercaram o carro-de-mola e começou um bate-boca. Aos poucos, formou-se uma pequena multidão. O soldado, sem condições de cumprir a ordem, voltou para o seu chefe. Este, vendo a gravidade da situação, e para não perder a sua autoridade falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui somente há uma saída para o Campo de Demonstração. Serão presas na saída!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou os seus comandados e postou-os no meio da estrada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por aqui elas não passarão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto uns montaram os cavalos, outros embarcaram no carro-de-mola junto com a mãe, e tendo na boléia o Pedro, dirigiram-se para a saída da vila, em direção ao Campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro-de-mola avançava devagar, ladeado pelos cavaleiros. O Zé emparelhou seu cavalo com os do carro-de-mola e foi avançando e aos poucos, na saída estava na frente do carro. O chefe de polícia o encarou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parem! Estão presos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé não quis conversa. Com um golpe certeiro de açoiteira derrubou o chefe, empinou o cavalo e jogou-o em cima dos demais que estavam pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Halt éich fest!&lt;/em&gt; (segura!), gritou o Pedro para a mãe, enquanto exigia o máximo dos cavalos e do carro-de-mola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caídos na estrada, os policiais viram a família Pitz seguir, em velocidade, na direção do Campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando a mãe em casa, os irmãos arquitetaram um plano para enfrentar a polícia que logo estaria chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo à propriedade, numa curva da estrada, fizeram cortes na base do tronco de uma grande árvore e esperaram os policiais. Passado algum tempo, escutaram o ronco do motor do Ford Bigode e se prepararam. Quando o carro da polícia estava próximo, deram as últimas machadadas na árvore que, de forma imponente, caiu em cima da frente do carro deixando-a totalmente destruída. Os policiais saltaram dando tiros em todas as direções, mas os irmãos Pitz já estavam longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avó Luiza, quando se falava do acontecido, dava uma tragada no cachimbo (1) e sorria: &lt;em&gt;Die Kreenpans (2)...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) A exemplo de outras mulheres da colônia, a avó Luiza fumava cachimbo com fumo de corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2)&lt;em&gt;Kreenpans&lt;/em&gt; [&lt;em&gt;Grünpansen = Barriga&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;pança&lt;/em&gt;)-&lt;em&gt;verde&lt;/em&gt;], no dialeto, era um termo pejorativo com que eram tratados os &lt;em&gt;brasileiros &lt;/em&gt; - o "Jeca Tatu" (&lt;em&gt;die brasiliana&lt;/em&gt;) do litoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os catarinenses em geral, o termo &lt;em&gt;Barriga-Verde&lt;/em&gt; é motivo de orgulho, pois lembra o famoso &lt;em&gt;Regimento Barriga-Verde&lt;/em&gt;. Teve o Regimento de Linha da Ilha de Santa Catarina grande significação militar e política, - uma história militar de cem anos. Sugerido pelo peitilho verde do seu uniforme, o corpo de tropas foi alcunhado Regimento Barriga-Verde. A partir dali passou o cognome ao povo catarinense em geral.(Enciclopédia Simpozio).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-115540538771601722?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115540538771601722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/115540538771601722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2006/08/die-kreenpanz.html' title='Die Kreenpanz'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-114711461201537540</id><published>2006-05-08T15:36:00.000-02:00</published><updated>2006-12-06T06:59:04.749-02:00</updated><title type='text'>A Família e o Trabalho</title><content type='html'>Ter muitos filhos era motivo de orgulho para os pais e também significava mais mão-de-obra para o desenvolvimento da propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai era o chefe da família cujo poder era exercido com base na hierarquia e na disciplina. As suas determinações eram rígidas e orientadas pela tradição, costumes e normas morais ditadas pela religião. A mulher era-lhe subordinada e a idade determinava a hierarquia entre os filhos e as pessoas em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher, tradicionalmente, acompanhava o marido nos serviços de preparação do terreno, plantio, capina, colheita e na fabricação do açúcar e da farinha. Na capina da cana de açúcar, a mulher, para proteger-se do corte das folhas, usava chapéu, camisa de manga comprida e calça comprida por debaixo do vestido. As atividades domésticas, de certa forma ficavam em segundo plano ou ficavam para serem executadas em dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos desde a mais tenra idade, sem prejuízo dos estudos primários, auxiliavam os pais nas tarefas da propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, andar descalço era normal. Nas lides do roça e do engenho os adultos usavam tamancos de madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sítio, as primeiras gerações de crianças e adolescentes vestiam somente uma peça inteira de roupa de algodão confeccionada de &lt;em&gt;riscado&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;riscadinha&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais viviam soltos e somente eram presos para a engorda, quando a sua alimentação exigia um trabalho redobrado, pois não havia ração animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cozimento de tubérculos como a mandioca, a batata doce e o inhame, por exemplo, eram feitos diariamente, junto com a abóbora, na época de engorda dos porcos. A forragem verde era dada às vacas leiteiras e aos bezerros e a todos os bovinos, na época do inverno, quando a pastagem era insuficiente para a sua alimentação. A construção de um silo para armazenar forragem verde somente aconteceu em época recente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manter a pastagem limpa exigia, também, muita mão-de-obra. No início, quando a bovinocultura era incipiente, os animais viviam soltos em meio à capoeira. Posteriormente, aos poucos, foram feitos a limpeza da área e o plantio de grama. As samambaias, principalmente nas encostas, os mata-pastos e outras ervas daninhas eram roçadas anualmente. Quando as plantas invasivas tiveram não só o caule cortado, mas também a sua raiz arrancada, houve uma real melhoria da pastagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-114711461201537540?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/114711461201537540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/114711461201537540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2006/05/famlia-e-o-trabalho.html' title='A Família e o Trabalho'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-114710979845152805</id><published>2006-05-08T15:34:00.008-02:00</published><updated>2008-02-25T20:48:46.072-02:00</updated><title type='text'>A Vida Social</title><content type='html'>As relações sociais eram precárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que poucos eram aqueles que tinham meios de transporte - aranha, carros de mola ou cavalos - os deslocamentos eram feitos à pé. Os caminhos eram tão lamacentos que para um acontecimento social, fosse missa, batizado ou casamento, a calça e os sapatos eram levados na mão e somente colocados depois de lavados os pés, no local ou próximo ao acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missa na manhã de domingo, casamentos e batizados eram os encontros sociais por excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a missa as novidades eram colocadas em dia, entabulados negócios e feitas as compras dos materiais essenciais que não eram produzidos na propriedade: sal, tecidos (as roupas de uso diário eram confeccionadas em casa) e, conforme o caso, encomendados ternos e sapatos que eram feitos sob medida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1950, uma festa em São Pedro era um acontecimento ímpar. Reunia centenas (milhares, talvez) de pessoas, barracas com brindes, jogos, sorteios e muitas novidades trazidas por mascates de todo o Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lona ou pano circular, com um poste central de madeira com mais de dez metros de altura, abria-se no centro da praça principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa consistia basicamente em assistir à missa, dar umas voltas pelas barracas, apostar alguns centavos - o dinheiro sempre era curto - num jogo qualquer ou comprar alguma novidade. O almoço, a um preço módico era servido na Casa Paroquial: um &lt;em&gt;prato pronto&lt;/em&gt; onde se podia escolher o tipo de carne (galinha assada, carne bovina – picadão ou assada de panela), arroz, macarrão, aipim e batata inglesa; ou um prato avulso, à escolha de cada um: galinha assada de forno com recheio, galinha ensopada, assado de porco, carne bovina assada de panela, churrasco bem assado (torrado), aipim, batata doce cozida, batata inglesa cozida, arroz, macarrão (massa caseira) e verduras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a bebida? &lt;em&gt;Gasosa &lt;/em&gt;(sabor de frutas), &lt;em&gt;pureza&lt;/em&gt; (sabor guaraná) e cerveja (&lt;em&gt;quentes&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhar uma galinha assada na roleta era um dos atrativos da festa. &lt;em&gt;Der Papa&lt;/em&gt;, não se sabe precisar com quantas tentativas, geralmente levava uma para casa. &lt;em&gt;Die Mama&lt;/em&gt; dizia que ele tinha muita sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde havia baile bastante freqüentado e que se encerrava ao anoitecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui as atividades na propriedade, principalmente o cuidado com os animais, envolviam de tal forma a família que pouco tempo sobrava para relações sociais e o lazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo disponível restringia-se à tarde de domingo quando o pai reunia-se fora de casa com amigos para jogar baralho (&lt;em&gt;sueca&lt;/em&gt;) e a mãe fazia ou recebia visitas. Os filhos, além de outras atividades de lazer, brincavam de rolimã com vizinhos ou aproveitavam para caçar de funda.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Com a colaboração de João Pedro Pitz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-114710979845152805?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/114710979845152805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/114710979845152805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2006/05/vida-social.html' title='A Vida Social'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-112958364129214532</id><published>2005-10-17T18:57:00.004-02:00</published><updated>2009-06-13T17:04:38.800-02:00</updated><title type='text'>Campanha de Nacionalização</title><content type='html'>Em 04 de maio de 1938, com o Decreto-Lei 406 que dispõe sobre a entrada de estrangeiros no território nacional, inicia-se a Campanha de Nacionalização com o objetivo de &lt;em&gt;abrasileirar&lt;/em&gt; os estrangeiros do sul do Brasil. Os &lt;em&gt;alienígenas&lt;/em&gt;, assim chamados por militares e políticos da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tomadas medidas coercitivas que alteraram visivelmente o cotidiano da população, com proibições que abrangiam tanto o uso da língua estrangeira, manifestações culturais e fechamento de escolas, quanto a posse de objetos (livros, armas, fotografias) que lembrassem a terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a declaração de guerra à Alemanha em 31 de agosto de 1942,  as medidas endureceram na busca de &lt;em&gt;invasores infiltrados&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;espiões&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;agentes de Hitler&lt;/em&gt;. O industrial,  comerciante, simpatizante nazista ou o colono que não tinha noção do que era nazismo, todos foram nivelados no mesmo grau de periculosidade. Campos de concentração foram instalados em Florianópolis e Joinville.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capital do Estado, o campo de concentração foi instalado em prédios do setor agrícola da penitenciária do Estado, onde hoje funciona a Prefeitura da Universidade Federal de Santa Catarina no campus da Trindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interventor Nereu Ramos manteve uma linha dura e um regime considerado exemplar pelas autoridades militares do governo Vargas. Sob o comando do chefe do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), Coronel Antônio Lara Ribas, policiais em todo o Estado produziram verdadeiras caçadas a nazistas e fascistas, com tortura em praça pública, invasão de casas, apreensão de objetos e vingança pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Alto Biguaçu, segundo Raulino Reitz, &lt;em&gt;buscas, apreensões, revistas em casas foram realizadas em todo o distrito de Antônio Carlos[...], quando foram apreendidas bíblias, devocionários, livros, bordados com provérbios de parede e quadros emoldurados com artísticos dizeres religiosos ou cívicos em idioma alemão. A devassa foi total nas igrejas, cemitérios e residências. A perseguição à cultura alemã foi violenta.&lt;/em&gt;(1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há registros de que tenha ocorrido o mesmo em São Pedro de Alcântara. Mas, certamente, este distrito que fazia parte da mesma Colônia, não deve ter recebido tratamento diferenciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-inzIKUu0Wg/SBZEmNARPfI/AAAAAAAAAHo/Hi7TYhJBZUc/s1600-h/Pe.nicolau1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_-inzIKUu0Wg/SBZEmNARPfI/AAAAAAAAAHo/Hi7TYhJBZUc/s200/Pe.nicolau1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194414643334954482" /&gt;&lt;/a&gt;Naquele período o Padre Nicolau Schaan era o Pároco de São Pedro de Alcântara. As missas eram celebradas em latim e o &lt;em&gt;padre dava dois sermões, um em português e outro em alemão, que era mais curto e que foi proibido&lt;/em&gt;(1). As confissões, obviamente, continuaram sendo feitas em alemão por aqueles que não sabiam falar o português. Falava-se o Hunsrückisch, mas as confissões eram feitas em &lt;em&gt;hochdeutsch&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)JOCHEM, Toni Vidal. &lt;em&gt;São Pedro de Alcântara (1829-1999) Aspectos de sua história&lt;/em&gt;, 1999, p.207&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-112958364129214532?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/112958364129214532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/112958364129214532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/10/campanha-de-nacionalizao.html' title='Campanha de Nacionalização'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_-inzIKUu0Wg/SBZEmNARPfI/AAAAAAAAAHo/Hi7TYhJBZUc/s72-c/Pe.nicolau1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-112689803943963311</id><published>2005-09-16T17:11:00.003-02:00</published><updated>2009-01-12T11:09:25.394-02:00</updated><title type='text'>Visão do Mundo</title><content type='html'>Confinados por montanhas e florestas virgens, com trilhas lamacentas que em época de chuva se tornavam quase intransponíveis,  &lt;em&gt;die petza&lt;/em&gt; tinham na religião, na família, no trabalho da roça, no engenho e no cuidado com os animais o seu mundo.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Observar o desenvolvimento da vida ao seu redor eram as novidades do dia-a-dia. O plantio, o crescimento e a colheita, os animais domésticos, seus hábitos e instintos, a visita de animais selvagens e aves migratórias ou mesmo a praga de insetos, a caça e a pesca, o nascimento e a morte, o crescimento dos filhos, os acidentes, as doenças, a fé em Deus e nos dogmas da religião, os pecados e as virtudes, este era o mundo em que viviam.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Era um mundo fechado. Não havia intercâmbio com outras comunidades mais prósperas ou de culturas diferentes que &lt;em&gt;oxigenassem&lt;/em&gt; o seu espírito. Por mais de cem anos mantiveram os mesmos valores, a mesma rotina, as mesmas técnicas agrícolas. Não houve inovação, desenvolvimento e progresso. O seu trabalho desenvolvia-se com o objetivo de sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romper o isolamento geográfico e cultural, aventurar-se por novas terras e novos mundos era uma tarefa hercúlea e aqueles que o fizeram foram exceções nem sempre vitoriosas. A segurança da rotina - da tradição, família e religião – manteve-os numa grande letargia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tenho consciência de tudo isto e percebo que a evolução do espírito é algo extremamente lento. Os agentes externos – um choque de civilização, por exemplo – podem ajudar a romper esses condicionamentos, mas não podemos negar que o motor que move cada indivíduo está dentro dele mesmo. É a sua natureza individual formada pela herança genética e cultural que o levará para frente e para cima ou a sucumbir diante da lei de sobrevivência do mais forte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-112689803943963311?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/112689803943963311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/112689803943963311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/09/viso-do-mundo.html' title='Visão do Mundo'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111953113094513122</id><published>2005-06-23T10:50:00.000-02:00</published><updated>2007-10-16T15:48:55.520-02:00</updated><title type='text'>As Comunicações</title><content type='html'>No início, as notícias de fora eram trazidas por viajantes e padres missionários e desde o início da década de trinta, por um rádio receptor instalado na casa paroquial de São Pedro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na década de cinqüenta o colono Ivo Pauli assinava o jornal &lt;em&gt;Correio do Povo &lt;/em&gt;de Porto Alegre-RS, considerado um dos grandes jornais do país na época. Numa  distância de dez quilômetros, andando a pé, retirava semanalmente por ocasião da missa de domingo, as edições no posto dos Correios. Lembro-me que falava muito em &lt;em&gt;die americana und die russa &lt;/em&gt;(estávamos na guerra fria). Não sei se o jornal, depois de lido, circulava por vizinhos ou parentes. Certamente que sim. Era algo notável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O posto dos Correios funcionava na casa da dona Petronila, em São Pedro, que centralizava toda a correspondência. Aos domingos, os interessados passavam no posto para deixar as cartas a serem enviadas e retirar as correspondências que haviam chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente no início da década de sessenta foi introduzido o rádio à pilha (com os cantores caipiras de São Paulo Tonico e Tinoco, fazendo sucesso), a luz elétrica chegou em 1977 e, logo depois, a televisão. O telefone chegou em 1981.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a língua no uso diário fosse o dialeto alemão, os mais velhos compreendiam (e muitos falavam) o alemão gramatical ou clássico (&lt;em&gt;hoch´deutsch&lt;/em&gt;), pois as missas, confissões e orações eram feitas neste idioma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111953113094513122?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111953113094513122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111953113094513122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/06/as-comunicaes.html' title='As Comunicações'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111953072558467229</id><published>2005-06-23T10:41:00.001-02:00</published><updated>2008-02-25T20:59:29.442-02:00</updated><title type='text'>O Comércio</title><content type='html'>Cada propriedade da Colônia era quase auto-suficiente. No início, o excesso da produção agrícola era de difícil comercialização. Não havia estradas e o transporte era feito em lombo de cavalos até São Pedro de Alcântara ou Santo Amaro da Imperatriz e trocado por ferramentas, sal, querosene ou tecidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, com a inauguração, em 1888, da estrada carroçável entre São José e São Pedro de Alcântara margeando o Rio Maruim, os colonos começaram a comercializar os seus produtos (açúcar, feijão, milho, farinha de mandioca, galinhas e porcos vivos, banha de porco, ovos e charque) na Capital do Estado.  Levadas por carroças até Praia Comprida (São José), as mercadorias eram transportados por balsas à vela até o Mercado Público de Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/15/2294/800/ponte-hluz.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:1px solid #000000; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/15/2294/400/ponte-hluz.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ponte Hercílio Luz&lt;/center&gt;&amp;nbsp;&lt;a href='http://www.hello.com/' target='ext'&gt;&lt;img src='http://photos1.blogger.com/pbh.gif' alt='Posted by Hello' border='0' style='border:0px;padding:0px;background:transparent;' align='absmiddle'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1926 foi inaugurada a Ponte Hercílio Luz ligando a Ilha de Santa Catarina ao continente, mas como os acessos eram precários, a comercialização da produção da colônia ainda levou anos para tornar-se mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgílio Pitz, na década de 50, comprou um caminhão para fazer o transporte das mercadorias.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O dinheiro que sobrava da comercialização – embora o escambo fosse bastante comum - era investido em melhorias da propriedade e o restante guardado em casa ou emprestado a juros módicos, aos maiores comerciantes do lugar. Utilizavam &lt;em&gt;der Schuldschein&lt;/em&gt; (nota promissória) como garantia do dinheiro emprestado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111953072558467229?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111953072558467229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111953072558467229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/06/o-comrcio.html' title='O Comércio'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111728168131920823</id><published>2005-05-28T10:00:00.004-02:00</published><updated>2008-02-25T21:12:05.036-02:00</updated><title type='text'>Animais Selvagens</title><content type='html'>Naquela época eram raros os animais selvagens. A caça intensa já quase os exterminara. &lt;em&gt;Der Papa&lt;/em&gt; gostava de contar sobre as caçadas que fazia quando jovem, principalmente a caça ao veado. Este depois de descoberto e perseguido pelo cão, era abatido na corrida - e aí entrava a qualidade da munição, da arma e do caçador. Ele era um exímio atirador. O sebo do veado era guardado para finalidades medicinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que, certa vez, apareceu um bugio lá pras bandas do Campo. Seu ronco deixou todos de casa excitados. Muitos vizinhos o perseguiram, mas não sei se conseguiram matá-lo. Depois fui saber que o bugio é um tipo de macaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecíamos mais os animais por revistas e livros do que pessoalmente. Havia a raposa, o lobo, o tigre e o leão. Mas isto eram histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam que a floresta era habitada por gambás, mãos-pelada, guaxinins (graxains, dizíamos nós), tatus, quatis, gatos-do-mato, ouriços, tamanduás, pacas e cotias entre outros. Eu não sabia que mão-pelada e guaxinim eram o mesmo animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num final de tarde, - eu deveria ter uns sete anos - &lt;em&gt;die Mama &lt;/em&gt;pediu-me para ver onde estava um bezerro que se havia embrenhado no mato e trazê-lo de volta para o pasto. Fui, despreocupadamente, por um caminho dentro do mato por cima do morro, perto de casa. De repente, na minha frente, o bicho saltou para dentro do caminho. Em pé nas patas traseiras, arreganhou os dentes, soltando uivos. Era muito maior do que eu. Até hoje não sei bem se foram mais fortes os uivos do bicho ou os meus gritos de susto. Nunca corri tanto na minha vida. Nossa! Passei por uma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/73/2814/640/315723_guaxinim.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/73/2814/400/315723_guaxinim.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Guaxinins ou mãos-peladas &lt;a href="http://www.hello.com/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Hello" src="http://photos1.blogger.com/pbh.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois me disseram que provavelmente foi um guaxinim. Diz a enciclopédia que ele tem até 60 cm de comprimento e mais 40 cm para a cauda e pesa até 20 kg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, este foi o &lt;em&gt;monstro&lt;/em&gt; que quase me matou de susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu fugia do bicho, meu irmão João Pedro conta este causo. Diz ele que, certa vez, num final de tarde, vinha da escola (Grupo de São Pedro), quando, de repente, perto da casa da Maria Schweitzer, viu um tatu passando rapidinho pela beira da estrada em direção ao rio. Não contou até dois, nem largou a pasta com o material escolar. Correu atrás do tatu. Este percebendo correu com tudo, por entre a vegetação, em direção à casa da Maria. O tatu e o João Pedro em velocidade máxima. Ao perceber que não ganharia a corrida, o tatu, num gesto de desespero, usou a técnica que sempre o salvou: cavar um buraco para se esconder. Em desespero de causa, começou a cavar na frente de uma grande árvore – olhar para o alto não é o seu forte – e quando as raízes impediram que conseguisse o seu intento, o João Pedro o agarrou pelo casco. Era um tatu macho, grande e gordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o material escolar debaixo do braço e o tatu preso nas duas mãos, lá vai o João, com um amplo sorriso, pela estrada de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao Campo, o Kiliano o viu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queres vender o tatu?&lt;br /&gt;- Nããão... Vou levar para o meu pai. Me dá uma arrumada na pasta aqui debaixo do braço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá se foi orgulhoso o João Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegar um tatu à unha? Jura ele que é verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111728168131920823?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728168131920823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728168131920823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/05/animais-selvagens.html' title='Animais Selvagens'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111728160355291800</id><published>2005-05-28T09:59:00.000-02:00</published><updated>2006-10-14T22:06:50.496-02:00</updated><title type='text'>O Natal</title><content type='html'>O Natal era a maior festa do ano. A cigarra anunciava a sua chegada. No início com um canto meio rouco, mas que se tornava límpido e melodioso depois de alguns ensaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se falava em Papai Noel, nome desconhecido na época, mas em &lt;em&gt;Chrestkindcha&lt;/em&gt; (Menino Jesus). &lt;em&gt;Heilige Niklós &lt;/em&gt;(São Nicolau), hoje conhecido como Papai Noel, tinha o seu dia - 06 de dezembro - que não era festejado, mas os filhos homens que nasciam neste dia, geralmente levavam o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Die Mama&lt;/em&gt; passava os dias anteriores fazendo doces de diversos tipos enfeitados com açúcar colorido, junto com bolos de diversos tamanhos e fórmulas. Os santa-fés e os pães-de-ló tinham um destaque especial. Os filhos eram convocados para auxiliá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 24, no final da tarde, chegava uma pessoa, cuja identidade as crianças desconheciam, com os presentes do &lt;em&gt;Chrestkindcha&lt;/em&gt;. No caso, era a minha tia, que vinha de longe em direção ao sítio, coberta com o véu que ela usava na missa. Nós crianças éramos mantidas ajoelhadas e de cabeça baixa, enquanto se processava a entrega dos presentes. Assim como chegava, partia a misteriosa figura que os trouxera. Depois de alguns minutos aparecia a tia Maria querendo saber o que havíamos ganho. Era uma grande festa. Os presentes eram bem simples comprados no comércio da Freguesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O auge da comemoração acontecia na missa da meia noite (entre o dia 24 e o dia 25). Saíamos de casa entre 9 e dez horas da noite, e caminhávamos à pé, aproximadamente cinco quilômetros, até a Igreja de São Pedro. Se fosse noite de lua e sem nuvens melhor,mas de qualquer forma,  andávamos pela estrada de barro iluminada pelo céu azul e pelas estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Freguesia e a igreja tinham uma precária iluminação elétrica. Quase todas as famílias da Colônia se faziam representar nesta missa de natal, que dividia com a Páscoa o ponto máximo da liturgia católica. O presépio enfeitado e iluminado onde a manjedoura com o menino Jesus e um jovem pinheiro de araucária cheio de penduricalhos eram a maior atração. O Coral da igreja esmerava-se em canções natalinas tradicionais. A missa e as canções eram em português, pois proibido estava o idioma alemão em atos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 25 brincávamos, almoçávamos e comíamos os doces feitos pela &lt;em&gt;Mama&lt;/em&gt;. Era uma festa essencialmente familiar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111728160355291800?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728160355291800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728160355291800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/05/o-natal.html' title='O Natal'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111728147705897110</id><published>2005-05-28T09:57:00.002-02:00</published><updated>2008-02-25T21:19:24.153-02:00</updated><title type='text'>Tempestade</title><content type='html'>A propriedade fica num pequeno vale estendendo-se na direção norte e nordeste. O ventos predominantes são o nordeste, que se manifesta como uma suave brisa e o sul, que é percebido pela movimentação da copa das árvores das partes mais altas. As trovoadas com ventos fortes e que geralmente são acompanhadas de granizo, vêm de sudoeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando com chuva forte, o vento começava a zunir e a porta principal da casa ameaçava ceder, nós nos colocávamos a escorá-la com mãos e ombros, &lt;em&gt;die Mama &lt;/em&gt;corria a colocar a queimar no forno a lenha, palmas secas de palmito que haviam sido bentas na procissão de Corpus Christi. Santa Bárbara era invocada. Algumas telhas o vento arrancava ou mudava de posição, mas quando era muito forte o estrago era grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior tempestade de que tenho lembrança aconteceu quando morávamos na casa menor. Eu deveria ter aproximadamente três anos. A casa não tinha forro e, de repente, olhando para cima, vi somente o branco do céu e da chuva. O telhado havia sido arrancado. &lt;em&gt;Die Mama &lt;/em&gt;pegou-me pela barriga e, junto com a minha irmã, colocou-nos debaixo da cama do casal. Papai estava no engenho que em parte foi destelhado. Disse-nos depois que uma pedra, que com o seu peso servia para firmar as telhas, havia caído próximo a seus pés, quase o matando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da tempestade restavam o granizo espalhado pelo pasto e as árvores tombadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111728147705897110?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728147705897110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728147705897110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/05/tempestade.html' title='Tempestade'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111728128819378642</id><published>2005-05-28T09:53:00.000-02:00</published><updated>2006-10-14T22:06:50.316-02:00</updated><title type='text'>O marco inicial do declínio da Colônia de São Pedro de Alcântara</title><content type='html'>&lt;em&gt;Caminho das Tropas&lt;/em&gt; era o nome dado às rotas de ligação utilizados por tropeiros para conduzir o gado e transportar mercadorias em burros de carga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Caminho das Tropas&lt;/em&gt; foi a principal rota, durante dois séculos, ligando a Colônia de Sacramento, atual território da República Oriental do Uruguai, à Sorocaba, em São Paulo, integrando, desta forma, o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná ao mercado brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença européia nos planaltos do sul do país intensificou-se a partir do século XVII, com os bandeirantes, que seguiam os caminhos indígenas já existentes. Posteriormente, no século XVIII, começou o trânsito dos tropeiros, que conduziam o gado retirado das vacarias das missões jesuíticas no Rio Grande do Sul até a feira de Sorocaba, que supria as necessidades das lavras de ouro de Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1703, Domingos de Filgueira descreveu o caminho entre a Colônia de Sacramento e Laguna, conhecido como &lt;em&gt;Caminho da Praia&lt;/em&gt;. Vinte e cinco anos depois, em 1728, foi aberto o &lt;em&gt;Caminho dos Conventos&lt;/em&gt;, também chamado de &lt;em&gt;Caminho de Souza Farias&lt;/em&gt; que, saindo de Araranguá (SC), subia o planalto penetrando nos Campos de Cima da Serra, seguindo até Curitiba para chegar em Sorocaba. Um pouco ao norte se passou a abrir outra estrada de acesso, ao longo do Rio Tubarão, no ponto denominado &lt;em&gt;Rio do Rastro&lt;/em&gt;; esta foi uma iniciativa da Câmara de Laguna, no mesmo ano que se instalava o município de Lages, em 22-5-1771.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Progressivamente, os antigos pousos instalados ao longo deste caminho e as antigas sesmarias doadas aos tropeiros, foram transformando-se em cidades e delineando o povoamento da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da década de 30 do século XVIII, foram instalados registros, em pontos estratégicos deste caminho que funcionavam como posto de cobrança de taxas sobre o gado e as mulas que eram levados pelos tropeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrada &lt;strong&gt;São José(1)-Lages&lt;/strong&gt;, foi conhecida inicialmente como &lt;em&gt;Caminho das Tropas para Lages&lt;/em&gt;. A sua construção, arrematada por 9.600$000 (nove mil e seiscentos contos de réis), foi iniciada em 14-11-1788 e dada como concluída em 6-12-1790.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através desse caminho exportava-se a produção das colônias e realizava-se o comércio de bens duráveis e de consumo entre o interior e a capital do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do fim do Império, foi sendo preparada para o tráfego de carroças e o seu traçado aproximou-se do Rio Maruim. O primeiro trecho, provavelmente até São Pedro de Alcântara, foi inaugurado como estrada carroçável em 21-08-1888.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo mês de agosto daquele ano o Presidente da Província e Hercílio Luz, Engenheiro das Obras Públicas, percorreram de novo o velho caminho de penetração para planejar sua melhoria, bem como decidir sobre seu traçado definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ida tomaram o caminho do rio Cubatão, ou seja, por Santo Amaro. No retorno desviaram em Taquaras para estudos de comparação, descendo por Angelina e São Pedro de Alcântara, margeando o rio Maruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidem-se em favor da via pelo Cubatão, discordando definitivamente com o traçado inicial de 1790.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta decisão, naquele ano de 1888, marca o início do declínio da Colônia de São Pedro de Alcântara, pois foi retirando aos poucos da sua área, a principal rota de ligação e comércio entre o planalto, a Capital e o litoral do Estado, e os investimentos públicos e privados dela decorrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) São José da Terra Firme (no continente, a oeste da Ilha de Santa Catarina), fundada em março de 1750, com a chegada de 182 casais açorianos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111728128819378642?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728128819378642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728128819378642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/05/o-marco-inicial-do-declnio-da-colnia.html' title='O marco inicial do declínio da Colônia de São Pedro de Alcântara'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13236699.post-111728078082717000</id><published>2005-05-28T09:35:00.001-02:00</published><updated>2008-02-25T21:20:57.453-02:00</updated><title type='text'>Infância</title><content type='html'>1. Meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu&lt;/em&gt;. Era assim que &lt;em&gt;die Mama&lt;/em&gt;, abreviando o nome, me chamava. Simpático apelido. Eu a ajudava nas lides da casa que para ela, ficavam em segundo plano com relação aos trabalhos da roça. Talvez porque fosse apenas uma criança - fui para o Seminário com 11 anos recém-feitos - tinha maior facilidade em ajudar nas tarefas domésticas e no engenho. Capinar e cortar cana de açúcar, carregar carro-de-boi e roçar o pasto eram realmente tarefas para gente grande. Mas o &lt;em&gt;Meu&lt;/em&gt;, dizia ela, quase cinqüenta anos depois, era uma criança que fazia tudo o que a gente pedia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. - Ofstohn!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu os olhos. O ar estava gelado. Na porta do quarto, o rosto do &lt;em&gt;Papa&lt;/em&gt; iluminado pela candeia de querosene. - "Ofstohn"!(*) Estava na hora de auxiliá-lo nos serviços do sítio. Deveriam ser quatro horas da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*)Levantar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A moenda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sete anos e de pequena estatura para a idade, ficava em desvantagem defronte à moenda do engenho. Ao colocar a cana de açúcar entre os cilindros em movimento, parte do líquido respingava-lhe na cabeça e nos olhos. Limpava os olhos com as costas das mãos e continuava o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. O cavalo de papai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Die Mama &lt;/em&gt;me suspende e me coloca em cima do cavalo, na frente do pai. Eu era muito pequeno e assustei-me bastante pela altura e porque o cavalo se mexia. Sei que &lt;em&gt;der Papa &lt;/em&gt;era um ótimo cavaleiro e seus cavalos eram vistosos e bons. O Baio, de temperamento forte, era o seu favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. A missa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me levava à igreja e à missa era &lt;em&gt;die Mama&lt;/em&gt;. Colocava-me ajoelhado na primeira fila, próximo ao altar onde ficavam as crianças, recomendando que não olhasse para traz. Ai que tentação, se ela não recomendasse talvez eu não olhasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do dia em que a Igreja de São Pedro foi sagrada. Estava super lotada e eu pequenino no meio daquela multidão. Isto foi em 21 de dezembro de 1950 e eu tinha 4 anos e um mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. O colorido cavalo alado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/73/2814/640/tsm_lollipopsign.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/img/73/2814/400/tsm_lollipopsign.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.hello.com/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Hello" src="http://photos1.blogger.com/pbh.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intrigou-me aquela lata com um cavalo alado colorido. Não perguntei a ninguém, de tão introvertido que sou. Mas que eu estava muito curioso, isto estava. Um cavalo colorido que voava... Só muito mais tarde fui ler o que estava escrito na lata: Mobiloil. Muitos anos depois é que fui saber que aquela era uma lata de querosene, que o cavalo voador era Pegasus da mitologia grega e que Mobiloil era a marca do produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. A argolinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma época em que apareceu a lata com o cavalo voador, ganhei uma pequena argola que vinha presa nas latas de conserva e era usada para abri-las. Um anel que ao ser torcido enrolava uma tira da lata, abrindo-a. Atualmente ainda aparecem latas com este tipo de abridor. Essas latas de conserva deveriam fazer parte das sobras de guerra que o americano mandava para cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem me deu essa argolinha com um pedacinho de lata enrolada, mas eu a amava. Acontece que &lt;em&gt;der Papa&lt;/em&gt; estava derrubando árvores na encosta perto do açude (tanque) para fazer uma roça. Fui levado com ele. Caminhando no meio dos troncos e galhos das árvores derrubadas, de repente, me escapa e cai a minha argolinha. Olho, olho, procuro, procuro... Nada. Sumiu. Uma enorme tristeza se abateu sobre mim. Não chorei nem pedi ajuda, afinal podia ser repreendido por dar tanto valor a uma porcaria e ainda ser culpado por não segurá-la com mais cuidado. Mas que fiquei muito triste, isto fiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Caí no riacho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sonho que resgatou memórias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estou começando a caminhar. Sou muito pequeno, ando sem firmeza. Estou quase no nível da água. Uma pequena represa, magnífica... As cores são fortes e o cheiro muito agradável. Sigo cambaleante sobre tábuas de madeira... Quanto prazer... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era muito pequeno e levei umas palmadas do &lt;em&gt;Papa&lt;/em&gt; - assustadíssimo - porque eu havia caído no riacho que passava perto de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13236699-111728078082717000?l=petza.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728078082717000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13236699/posts/default/111728078082717000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://petza.blogspot.com/2005/05/infncia.html' title='Infância'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
